Temos de admitir agora
antes que vás embora
que, quando as mãos tremem
e toda a pele se arrepia,
os lábios num ápice cedem
e sabemos que acabou o dia.
Tens de ser muito breve,
tornar este tempo mais leve.
Antes que os lábios molhados
e todo o prazer da euforia,
acabem de novo consternados
pela efemeridade da magia.
Tenho de ser interessante,
pois em qualquer instante,
sei que descerás da lua.
Quando o Sol se evapora,
passeias-te na minha rua:
apetitoso por fora,
delicioso na hora...
Já não se desfaz esta constante:
Teu prazer de me ver nua,
meu prazer de ser errante...
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Poema do sofredor
Perguntou-me um dia se era feliz.
Disse que não e que assim o quis.
Jogando mais fé no papelão,
vive com ódio no coração.
Veste o que ainda pode servir,
temendo o abraço que irá omitir.
Dorme outra noite na cama errada.
Sonha com tudo, acorda sem nada.
Queima um pouco mais de papel,
ardendo-lhes as marcas do velho anel.
Comeu com mais pão cheio de bolor
e só engordaram as marcas de dor.
Chora outra noite na cama errada.
Sonha com tudo, acorda sem nada.
Venha mais fé para escrever.
Hoje será mais um dia infeliz,
por nada a não ser
porque assim o quis.
Disse que não e que assim o quis.
Jogando mais fé no papelão,
vive com ódio no coração.
Veste o que ainda pode servir,
temendo o abraço que irá omitir.
Dorme outra noite na cama errada.
Sonha com tudo, acorda sem nada.
Queima um pouco mais de papel,
ardendo-lhes as marcas do velho anel.
Comeu com mais pão cheio de bolor
e só engordaram as marcas de dor.
Chora outra noite na cama errada.
Sonha com tudo, acorda sem nada.
Venha mais fé para escrever.
Hoje será mais um dia infeliz,
por nada a não ser
porque assim o quis.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
É C(L)aro
Rebolou pelo céu
cor de leite
que não bebeu.
Não era aceite!
Sonhou com espuma
numa banheira
sem água nenhuma.
Não tinha maneira!
Comeu as molas
do seu colchão.
Já foram solas.
Não havia distinção!
Agarrou o ar
de uma flor
com dor p'ra dar.
Não teve amor!
Na fome rebolou,
no sonho se lavou,
na terra adormeceu
e na dor...
Na dor se esqueceu!
(Agora, é caro o algodão,
p'ra quem não estendeu a mão...)
cor de leite
que não bebeu.
Não era aceite!
Sonhou com espuma
numa banheira
sem água nenhuma.
Não tinha maneira!
Comeu as molas
do seu colchão.
Já foram solas.
Não havia distinção!
Agarrou o ar
de uma flor
com dor p'ra dar.
Não teve amor!
Na fome rebolou,
no sonho se lavou,
na terra adormeceu
e na dor...
Na dor se esqueceu!
(Agora, é caro o algodão,
p'ra quem não estendeu a mão...)
Esta noite
Esquece as palavras e as melodias.
Hoje é o fim dos nossos dias.
Exala a sorte
e encara o frio.
Tudo será forte
no nosso vazio.
Não há ajuda
no desalento...
Esta noite
a sala é muda
como a cor do vento...
Hoje é o fim dos nossos dias.
Exala a sorte
e encara o frio.
Tudo será forte
no nosso vazio.
Não há ajuda
no desalento...
Esta noite
a sala é muda
como a cor do vento...
Basta!
Adoptaste por decoração
as expressões que analisei,
os embustes que coleccionei,
todos por mera emulação.
Na maior das audácias,
logras a ti e ao mundo.
Sopras fácil do teu fundo,
as mais tremendas falácias.
Repudio-te os adornos,
tão leves e confortáveis,
tão vastos e sem contornos.
Camufla os sorrisos instáveis
e o cheiro ardil das mentiras.
Basta de venenos afáveis!
as expressões que analisei,
os embustes que coleccionei,
todos por mera emulação.
Na maior das audácias,
logras a ti e ao mundo.
Sopras fácil do teu fundo,
as mais tremendas falácias.
Repudio-te os adornos,
tão leves e confortáveis,
tão vastos e sem contornos.
Camufla os sorrisos instáveis
e o cheiro ardil das mentiras.
Basta de venenos afáveis!
domingo, 15 de agosto de 2010
Desisti
domingo, 25 de julho de 2010
Sem sentidos
Por norma
sentiria a forma.
Mas minto.
Quando toco,
nada sinto.
Por consequência
preveria a essência.
Mas é vazio.
Quando inspiro,
a nada associo.
Por orgulho
ouviria o barulho.
Mas refuto.
Quando ouço,
nada escuto.
Por regra
veria a quebra.
Mas se desejo,
quando olho,
nada vejo.
Nada é o sabor
quando te beijo.
Mas o amor
tira a mordaça,
por Farsa.
sentiria a forma.
Mas minto.
Quando toco,
nada sinto.
Por consequência
preveria a essência.
Mas é vazio.
Quando inspiro,
a nada associo.
Por orgulho
ouviria o barulho.
Mas refuto.
Quando ouço,
nada escuto.
Por regra
veria a quebra.
Mas se desejo,
quando olho,
nada vejo.
Nada é o sabor
quando te beijo.
Mas o amor
tira a mordaça,
por Farsa.
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